Mas se informações históricas podem ficar para depois, em épocas como a atual, que é de alerta e prevenção intensificada, o portal traz também fatos e conhecimentos indispensáveis para se compreender que essa história da dengue é mais do que apenas uma história: é um problemão. O Aedes aegypti se reproduz muito rapidamente. Ao botar os ovos na água, cada fêmea de mosquito da dengue, pode gerar até 1.000 descendentes, uma boa parte deles fêmeas, que terão a mesma velocidade e capacidade de procriação. E a única exigência para o desenvolvimento da cria é uma poça de água parada, onde os ovos se desenvolvem até formar mais mosquitos - sedentos de sangue humano e possivelmente portadores do vírus da dengue.
Outro grave complicador: os ovos podem sobreviver por até um ano no seco, sem uma gota sequer de água - podendo retomar o seu desenvolvimento e produzir larvas, se voltarem a ficar na água parada, durante esse período. E se a fêmea que botou os ovos transporta o vírus da dengue, as fêmeas da nova “ninhada”, já nascerão com a capacidade transmitir a doença.
Mas a grande atração da portal está na seção de vídeos. Um clique no link traz a página e carrega automaticamente um documentário assinado pela Globo Vídeo e apresentado pelo doutor Drauzio Varella, o médico que se tornou internacionalmente famoso pela sua abordagem social das grandes questões de saúde pública brasileira.
O bom doutor andou por este Brasil afora, visitando paisagens distantes (no Nordeste e na Amazônia, por exemplo) e também mais próximas da velocidade urbana, em grandes cidades como Recife e São Paulo - para ensinar sobre a dengue, alertar para a ameça que o Aedes aegypti representa e para avaliar o que já se faz e o que ainda se pode fazer para combatê-la.
Ele mostra que o aquecimento global e o acúmulo de pessoas e de lixo nas cidades, especialmente nas cidades maiores, favorecem a proliferação do Aedes aegypti - e criam condições para o aumento de casos da doença. Ensina a identificar o mosquito, fala sobre suas características e hábitos e lembra o que fazer para minimizar o perigo. A tarefa, diz ele, é eliminar os possíveis criadouros, sejam eles em vasos de plantas, cascas de frutas, embalagens plásticas, copos descartáveis e uma infinidade de outros recipientes possíveis, incluindo pneus velhos (abandonados ao tempo por cidadãos comuns, bons cidadãos até) e erroneamente apontados como o principal perigo nos centros urbanos.
Seu documentário nos lembra que muitos têm medo de cobra, de escorpião, onça, piranha, bichos que podem nos atacar se chegarmos perto - mas que “o bicho mais perigoso do mundo é o mosquito da dengue”.
Epidemias graves em grandes centros urbanos - ou mesmo surtos menores em áreas circunscritas - poderiam se transformar em sérias catástrofes. Para impedir isso é preciso seguir à risca a receita do doutor: mobilizar lideranças políticas, sociais, empresariais e assim por diante - e envolver os cidadãos em geral - em projetos sérios de educação ambiental, prevenção e saneamento. Porque afinal de contas, exercer a cidadania não é somente usufruir de direitos e privilégios mas implica também em cada um fazer a sua parte, com o melhor de seu esforço. |