Os pneus, ao chegarem à reformadora, são, ainda durante o recebimento, submetidos a uma inspeção inicial, que é de extrema importância para realizar um serviço de qualidade, além de diminuir os custos de produção e controlar o material que entra na empresa. Durante a etapa de inspeção é feita uma limpeza no pneu para facilitar a avaliação e manter limpos os sucessivos setores da reformadora.
O pneu, então, passa por um exame preliminar para selecionar as carcaças que estejam em condições de reforma ou conserto.
Algumas carcaças de pneus acabam não passando da inspeção inicial por
apresentarem danos que limitam a sua vida útil, são chamados pneus inservíveis. Os quais por sua vez, através da própria reformadora, ganham um destino ecologicamente correto.
Alguns requisitos são necessários para que o pneu possa ser recapado, são eles:
• A estrutura geral de uma carcaça não deve apresentar cortes nem deformações;
• A banda de rodagem deve ainda apresentar sulcos e saliências que permitam sua aderência ao solo;
• A carcaça não deve apresentar sinais de desgaste excessivo das bandas, com cinturas ou lonas expostas, nem sinais de contaminação com óleo, graxa ou ácidos, tão pouco sinais de envelhecimento natural.
Após a inspeção, o pneu vai para um torno, onde é realizado o desbaste da banda de rodagem. O objetivo é remover a parte remanescente da banda já desgastada, deixando a carcaça limpa, com textura, dimensões e simetrias corretas, seguindo um padrão de reforma, para proporcionar uma ótima aderência à nova banda. Além disso, nesta fase prepara-se o pneu para dar-lhe condições de processamento e para que se obtenha o resultado esperado em serviço.
Depois de raspado, todos os danos pontuais são tratados para eliminar toda e qualquer contaminação. Caso exista alguma escareação, ou seja, perfuração que afete as lonas da carcaça, a reparação é realizada utilizando manchões (espécie de plaqueta de borracha), que devolvem a região avariada a resistência original da carcaça. Os maiores índices de problemas na reforma de pneus se devem a esta fase do processo, pois é necessário certificar-se de que as escareações não ultrapassam os limites máximos permitidos para conserto.
O próximo e último passo é reconstruir o pneu, ou seja, aplicar uma nova banda de rodagem à carcaça. Nesta fase opta-se por dois caminhos, através da vulcanização do pré-curado, dito sistema frio, ou através da vulcanização do camelback, dito sistema quente.
Na recapagem pré-moldada, conhecida como reforma a frio, usa-se bandas derodagem pré-curadas, ou seja, a banda aplicada no pneu já vem com os sulcos desenhados de fábrica. Os pneus já montados com a nova banda de rodagem são dispostos e vulcanizados ao mesmo tempo, por meio de uma autoclave. Os pneus maiores são colocados primeiro para garantir uma perfeita circulação de ar quente dentro do equipamento.
O processo a frio, apesar de receber calor da autoclave, leva este nome por trabalhar com uma temperatura mais baixa, por volta dos 100°C, porém com um tempo maior.
Já no processo a quente, a borracha aplicada no pneu é lisa, esse composto é chamado de camelback. Os sulcos são desenhados nos anéis de vulcanização, um a um, em equipamentos (prensa mecânica para vulcanização) de três ou seis setores da própria empresa. O objetivo é transformar o camelback e as bordas de enchimento do estado plástico para o elástico (vulcanizar) e estampar a nova banda de rodagem. Neste processo, a temperatura de trabalho é em torno de 160°C em um menor tempo.
Para garantir que o pneu reformado esteja em conformidade com o padrão, ele é novamente inspecionado com os mesmos critérios e meios utilizados na inspeção inicial e em todas as fases do processo. Esta é a última oportunidade que o setor da reformadora tem para corrigir falhas ou imperfeições antes que esse pneu retorne definitivamente ao usuário final. Em caso de defeito o pneu é reprocessado.
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