| Correio do Povo - 01/06/09 - Com todos os postos de pesagem da União no Rio Grande do Sul desativados, caminhões trafegam com excesso de peso nas rodovias federais, sem nenhuma preocupação com autuações e multas. Muitos equipamentos nem chegaram a entrar em operação nas estradas.
Alguns foram construídos há quase quatro décadas. Há estruturas em ruínas, como na BR 290, em Butiá. Com o fracasso dessa modalidade de pesagem, o governo decidiu apostar nas balanças móveis.
Há dois anos, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) prometeu instalar os equipamentos, via licitação, em trechos onde o tráfego de carretas é intenso, incluindo as BRs 101 (Terra de Areia) e 386 (Canoas-Tabaí). Das mais de 40 previstas, seis foram implantadas e só duas entraram em funcionamento.
O policial rodoviário federal Alexsandro Zanette, da Seção de Policiamento e Fiscalização, ressalta que o sobrepeso colabora para a deterioração das estradas, possibilitando a abertura de fendas ou o afundamento da pavimentação. Os excessos são mais frequentes no período de escoamento da safra. "Estamos atuando efetivamente nas rodovias concedidas, onde existem postos de pesagem operados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)", explica.
Nos demais pontos, havendo a desconfiança de excesso de peso, via constatação de molas arqueadas, pneus estufados ou ronco diferenciado do motor, a fiscalização ocorre com base nos volumes discriminados na nota fiscal. No entanto, nem mesmo nas rodovias concedidas a pesagem é permanente.
"O controle deveria ocorrer durante as 24 horas do dia", diz Zanette. "Muitos caminhoneiros aguardam o encerramento das atividades das balanças em postos de combustíveis das proximidades. Só depois de terem certeza de que os equipamentos estão inoperantes, prosseguem a viagem. Com isso, apenas 1% dos veículos pesados é flagrado com sobrepeso", denuncia.
Apesar das dificuldades, no ano passado a Polícia Rodoviária Federal emitiu 1.793 autos de infração. Nos quatro primeiros meses de 2009, foram 528. A PRF aponta a necessidade de implantação de balanças, em caráter emergencial, principalmente nas BRs 116, 285, 287, 290 e 386.
O superintendente regional do Dnit, Vladimir Casa, confirma que não há nenhuma balança em operação nas rodovias federais gaúchas. "Os postos de pesagem serão revitalizados e a previsão é que passem a operar ainda neste ano", promete.
Ele reconhece, no entanto, que a aquisição de balanças móveis figura na "esfera de projeto". O mais surpreendente é que as autoridades da área de transporte admitem que a carga excessiva pode reduzir a vida útil de uma estrada em até 80%.
Por: Luciamem Wick |